<i>Artigo 38.º</i>

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico.» in Constituição da República Portuguesa.

 

Luta, qual luta?

Nesta rubrica costumamos debruçar-nos sobre a denúncia do silenciamento e deturpação de que são alvo as análises, as propostas e a actividade do PCP por parte da comunicação social propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros. Desta vez não o faremos. Não porque faltem razões para que o fizéssemos mas para destacar a existência de outro alvo deste jornalismo eufeudado aos interesses dos seus patrões: a luta organizada dos trabalhadores e do povo.

Nas últimas semanas, para não ir mais atrás, esta tem sido uma realidade pungente no nosso País. Trabalhadores de várias sectores, pescadores, agricultores, estudantes ou reformados têm intensificado o protesto contra esta política injusta e reclamado um novo rumo. Como seria de esperar, o tratamento noticioso tem sido parco, com jornalistas, analistas e comentadores mais preocupados com as súbitas diferenças entre PS e PSD, com a necessidade imperiosa de Portugal cumprir os seus compromissos internacionais, com a Alemanha, com a União Europeia e com os «mercados financeiros» – e com qual será, afinal, o melhor governo para prosseguir a política de direita.

A grande manifestação nacional de 19 de Março, promovida pela CGTP-IN, foi a maior acção de massas realizada no País desde a Greve Geral de Novembro. Nela confluiu o descontentamento, a revolta e a indignação por uma política que esmaga quem menos tem e protege e estimula os ricos e poderosos, e a exigência de uma política que garanta o emprego, valorize os salários, defenda os direitos e salvaguarde os serviços públicos e as funções sociais do Estado.

Se nos dias que a antecederam praticamente não existiu – em contraste com a promoção e a cobertura dada à manifestação da chamada Geração à Rasca realizada uma semana antes – no próprio dia e no dia seguinte acabou por merecer algum espaço nos noticiários e nos jornais. Mas foi encarada como um simples «protesto» ou como um mero «direito» que assiste às 300 mil pessoas que nela participaram e não como aquilo que efectivamente foi: um processo imenso de rejeição da política de direita e, mais do que isso, de construção de alternativas para o País.

 

Uma luta que se alarga

 

As últimas semanas ficaram também marcadas pela intensa luta no sector dos transportes, com greves e paralisações contra os cortes salariais, o bloqueio à contratação colectiva e as privatizações. E que fez a generalidade da comunicação social? Desta vez não silenciou e até se referiu bastante a esta luta, entrevistando utentes sobre os prejuízos para as suas vidas destas greves. Sobre os justos motivos que motivam a luta, nada!

Também os estudantes dos ensinos básico e secundário, profissional e superior se manifestaram em todo o País no dia 24 de Março, Dia do Estudante. Para além do silenciamento em torno do carácter nacional deste protesto, também pouco ou nada se disse acerca daquilo que trouxe os estudantes às ruas, que se pode resumir numa expressão: defesa da escola pública, universal, gratuita e de qualidade.

As concentrações realizadas em Lisboa e no Porto no dia 23 contra a agressão militar à Líbia foram praticamente apagadas na generalidade da comunicação social. Não fosse esta ter de explicar que em causa não estão quaisquer direitos humanos ou protecção das populações civis, mas os interesses económicos e geo-estratégicos de um punhado de grandes empresas...



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